quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Signos e significados

Às vezes não consigo compreender, obstante, apreender sua essência, sincrética obstinada de desejos forjados nas dúvidas vívidas de sobrevidas existenciais. Queria que tu ouvisses meu grito interior que emana, ressurge do silêncio que meus olhos transmitem. Entender-te, exercício de uma vida inteira sob o risco de jamais saber-te ou mesmo, que a sorte acompanhando-te, perder-se entre tamanha alternância de signos e significados. Por que a vida é tão longa se tantos acreditam que simplesmente não temos motivos para aqui estarmos? Acalma-te coração, resguarda-te para o que vier, mas não esperes calmaria, não, não há sinônimos para o que nos reserva o nosso próprio eu.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Exercício das almas vagantes


Há muito embrenho no silêncio da minha língua já cansada.
Acreditei nas dezenas de andorinhas que pousaram hoje na minha janela.
Sua partida, mais de uma quinzena, senão, um tempo imemoriável.
Minha permanência, insistência de quem não mais tem como dispensar seu tempo.

Cansada minha língua está de falar sobre nosso silêncio, simonia de nossas almas em condenação eterna.
Andorinhas revelam a fidelidade impessoal nos seres que se dizem humanos, elas sim, são fieis.
Mais uma despedida. Não sei mais me despedir. Não há mais tempo entre ir e vir, somente a quinzena que ficou em mim, pois você se foi.
O tempo que passou, eu tentei guardar de forma alienável. Insistência de quem já se perdeu na vida que viveu, tantas experiências sugerem envelhecimento precoce.

Nosso silêncio está na língua cansada, alma condenada, indulgência indeferida.
Fidelidade está no exercício das andorinhas de partir e sempre voltar para o mesmo lugar.
Pessoas costumam ir e vir em um movimento banalizado. São os aviões andorinhas de aço?
Alienei o espólio dos amores antigos que encontrei em você, estou envelhecendo na vida que você viveu sem mim.

Minha alma está condenada no silêncio de minha língua que nega a indulgência proferida.
No lugar do exercício da andorinha, a virtude da fidelidade está conjugada ao labor da volta constante.
Cansei de voar. Cansei de ver as nuvens. Pessoas voam sobre seus próprios sonhos. Banalizo sua loucura por mim.
Amores antigos deixam legados. Amores antigos são espólios herdados. Amores antigos são a ruina dos impérios presentes.

Há muito me escondo no silêncio da minha língua já tão cansada de repetir as mesmas frases.
As andorinhas representam o retorno da prosperidade, acredito na fidelidade como exercício das almas vagantes.
Um dia, há de ter apenas uma volta, pois estarei esperando por esse momento.
Minha permanência é sinônimo de que não posso mais esperar...

Alexandre Miranda de Souza – publicado no Recanto das Letras.

sábado, 30 de julho de 2011

Quão fúteis somos diante do amor, imaginamos o insustentável, quando na verdade, o amor é tão leve quanto o ar e, nós, com nossos medos e traumas, o deixamos mais pesado do que podemos suportar.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Love is a losing game...

Morremos aos poucos de forma imperceptivel. Envelhecemos da mesma forma e assim, nos fazemos solitários acreditando estarmos seguros ao lado de outra pessoa que está tão cega quanto estamos. Bicho de sete cabeças é como nos vemos diante do espelho. O medo de nós mesmos surge no outro e assim o condenamos, na verdade, condenamos a nossa própria existência. A sentença é o isolamento do outro da nossa companhia, e assim seguimos delegando culpas...

domingo, 3 de julho de 2011

Cantores...


Belchior dizia que não iria deixar seu cigarro apagar pela tristeza. Mas é exatamente ela que faz com ele esteja sempre acesso. O que adianta apaga-lo se quem nos desejou não se importa mais com qualquer coisa que se possa preocupar. Almir Sater dizia que o melhor é andar devagar, principalmente para quem já teve pressa... Eu já chorei demais e mesmo assim, nada sei, como ele mesmo afirma. Porém, eu ando pelo mundo, sem saber o porquê. E canto sozinho pensando em quem possa me ouvir... Não sei o que está acontecendo, Adriana me perdoe, mas acordei sem ninguém ao lado...

The designs for the man, is the loneliness! It is the desire of God!

terça-feira, 28 de junho de 2011

Lugar seguro.

Um lugar seguro, quase isolado, desejo de ser irreconhecível, distante, silencioso...

Ao balouço das aragens quando assim os deuses desejam...


Os degraus da escadaria em que desço parecem incontáveis, contudo, sei exatamente quantos são e onde estão. Ao rolar escada abaixo, sinto cada baque, cada pancada em meu corpo, quebrando e triturando ossos, vou rolando, aguardando pacientemente o fim.

As asas do avião definem como parâmetro principal onde está o horizonte. Ao rolar as escadarias, perco o meu ponto de referência, não sei aonde anda o horizonte, só o abismo que se abriu sob meus pés.

Acima das nuvens é algo realmente divino. Talvez por isso, muitos querem estar lá.  Mas o arco que se faz entre as nuvens, o horizonte e as asas se desfaz em apenas um breve segundo, como o passar de uma vagarosa brisa, o tempo se torna insubordinado e do moroso, faz-se o instantâneo e assim vamos todos seguindo absolutamente cansados.

Estou sem coerência nas palavras. O que são elas, senão, um amontoado de letras, que formam sílabas, que formam palavras, que formam frases e que compõem um texto sem significado algum?

Exatamente assim vou seguindo. Sem significado algum. Deus, você consegue me ouvir? São tantas preces a Ti, será que a minha consegue chegar aos Seus ouvidos? Não, claro que não, porque eu blasfemo o tempo todo. E não acredito mais em Ti. Mas será que Você não poderia me ouvir pelo menos uma única vez?

Você pode me ouvir? Você pode me ver? O que está acontecendo dentro de mim? Estou tão cansado e não vejo claramente um caminho à minha frente.

Vou colocar minha vida no piloto automático e caminhar por entre a multidão e dizer ‘Olá, tudo bem!’ sem me interessar verdadeiramente no que os outros sentem. Vamos construindo nossa história, tijolo por tijolo esperando que palavras abençoadas nos dê o aval das nossas atitudes insanas.

Você é capaz de me ouvir? Entender o que acontece dentro de mim? Amar antes de ser amado? Dar o carinho sem que ele seja devolvido em dobro? Respeitar antes de ser respeitado? Ouvir antes de ser ouvido? Você consegue enxergar-me?

Eu estou aqui, mesmo não sabendo exatamente onde estou, mas estou aqui, em algum buraco escondido, entre as árvores do meu sítio. Entre os galhos mais altos, talvez nas copas das árvores. Estático quando o vento nos abandona. Ao balouço das aragens quando assim os deuses desejam...




terça-feira, 21 de junho de 2011

Our life

You're minding your own business while I am losing my spirit force... I'm lost in my asylum. Soul Asylum!

Quatro cavaleiros em seus cavalos imponentes

Enquanto o sol arqueava sobre mim, eu vi em sua curvatura, relâmpagos incandescentes que formavam imagens obscuras e praticamente irreconhecíveis. Quatro cavaleiros em seus cavalos imponentes desfilavam diante da perplexidade do meu mundo. Finalmente o Juízo Final se achegou. Definitivamente aliviará nossas dores.

Eu vi o primeiro em um cavalo branco. Trouxe lembranças do passado, cuja arma era a escrita, as reminiscências, o que outrora era felicidade e que tornou-se tormenta e desespero. Sua fala travava batalhas contra meus maiores inimigos, sem se aperceber que eu mesmo era um deles.

O segundo em um cavalo negro. Trouxe a fome em meu espírito, cuja arma era um conjunto de imagens desfocadas, estagnadas, envelhecidas e distorcidas por véus e relíquias beatificadas. Em uma de suas mãos encontrava-se uma balança usada para julgar-nos e definir nosso destino. Eis que encontro-me em seu inferno.

O terceiro em um cavalo baio. Trouxe em uma das mãos uma grande foice. A privação dos meus sentidos, dos meus desejos, dos meus prazeres, da minha vida. Veio ceifar o que há muito foi devastado e ainda não consegui replantar. Feudo repatriado, restituído ao seu dono original. Servo da opressão instituída como vida a se seguir.

O último estava em um cavalo vermelho. Tinha em uma das mãos uma espada ensanguentada. O sangue pingava em minha face. Trouxe a liberdade de matar os outros cavaleiros. A guerra, a luta pela destituição dos impérios estabelecidos anteriormente. Porém, temo não ser sua espada, suficiente para tamanha batalha.

O ultimo brilho do sol esticou-se por detrás das derradeiras folhagens que escondiam o horizonte. Por um breve momento, estive diante do meu Juízo Final. Afinal, o que não é a vida senão aguardar o seu termo, ou no máximo, esperar pelo amanhã?